Eliseo Reclus y la geografía de Colombia

Sitio de la investigación: “Eliseo Reclus, geografía y poder: Colombia vista por un anarquista del siglo XIX”

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No ano de 1855, um jovem francês de nome Élisée Reclus que com o tempo viria a ser um dos grandes geógrafos do século XIX, desembarcava nas costas da convulsa Nova Granada, fugindo do Segundo Império, com o propósito de estabelecer ali uma colônia agrícola libertária e com a idéia de escrever sobre os fenômenos da natureza. Depois de dois anos na Sierra Nevada de Santa Marta (documentados nas cartas a sua família) e do fracasso do seu projeto agrícola, Reclus, de regresso à França, iniciou sua carrera de escritor redigindo exitosos relatos e guias de viagem para grandes editoras (sendo um dos mais famosos
Voyage à la Sierra-Nevada de Sainte-Marthe, 1861) e colaborando em prestigiosas revistas cientificas com múltiples resenhas e escritos sobre diversos temas de geografia e política como a colonização do Brasil, a guerra civil e a escravidão nos Estados Unidos e a Guerra de Paraguai. Publica então La Terre (2 v., 1868-1869), um difundido tratado sobre os fenômenos terrestres, considerado o primeiro de seus três grandes trabalhos geográficos. Uma década mais tarde, depois de outras múltiplas viagens e publicações, o conhecido militante anarquista Reclus adere à Comuna, é prisioneiro pelo governo de Versalles e é condenado à deportação perpétua. Depois de um ano de cadeia e graças ao clamor da comunidade científica (Darwin incluído), o geógrafo anarquista é libertado e sua pena comutada por dez anos de exílio. Radicado na Suíça e sob contrato com a gigante editora Hachette, Reclus empreende então a tarefa monumental de redigir uma enciclopédia geográfica universal que acabou ocupando 18.000 paginas e vinte anos de trabalho (Nouvelle Géographie Universelle, 19 v., 1876-1894). Nesta obra, segundo a sua idéia de fazer primar as «regiões naturais» do mundo sobre as divisões «meramente artificiais» (ou políticas), Panamá, então parte do território colombiano, aparece no volume XVII (Indes Occidentales: Mexique, Isthmes américains, Antilles, 1891) e já o resto do pais no volume seguinte, dedicado às regiões andinas (L’Amérique du sud. Les régions andines: Trinidad, Vénézuéla, Colombie, Écuador, Pérou, Bolivie et Chili, 1893). Somando, este trabalho sobre a Colômbia, baseado numa bibliografia de mais de 100 autores, ocupa quase 250 páginas e inclui 48 mapas e 19 gravuras de paisagens e pessoas.

Já no final de sua vida, depois de muitas mais viagens e de alguns outros projetos geográficos e cartográficos (como a construção de um globo gigante para a Exposição Universal de Paris de 1900, que fracassou por problemas financeiros) e radicado na Bélgica como professor de Geografia comparada, elabora L’Homme et la Terre (6 v., 1905-1908), uma história universal, considerada sua obra cume e começada a publicar em 1905, um pouco antes da sua morte.

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Depois de muitos anos de esquecimento, a proposta geográfica (e histórica, e política) de Reclus tem sido recuperada para a história da geografia moderna. Nas últimas décadas, o seu pensamento e a sua obra, agora considerada original e relevante, vem sendo revalorada dentro e fora dos círculos acadêmicos geográficos franceses que a tinham marginalizado desde tempos de Paul Vidal de La Blache, quem procurou, junto com seus seguidores, como parte de sua estratégia de afirmação cientifica, fazer uma geografia sem política explicitamente oposta a de Reclus, o que segundo Yves Lacoste significou para a escola geográfica francesa uma verdadeira perda em termos de geograficidade com respeito à obra do anarquista, cuja inclusão dos conflitos sociais e das rivalidades territoriais nas preocupações geográficas só viria a ser retomada pela academia francesa na década dos cinqüenta, principalmente por Max Sorre. Assim, tem aparecido nos últimos decênios algumas biografias de Reclus, alguns estudos da sua proposta geográfica geral ou de aspetos particulares dela como sua posição frente à colonização, e estudos mais específicos dedicados a seus capítulos sobre os Estados Unidos, o Japão, o México, Londres, a Espanha, os Bálcãs e as sociedades muçulmanas.

Que significa para Élisée Reclus conhecer geográfica e cartograficamente a Colômbia? Em que consiste esse conhecimento e por meio de que procedimentos foi obtido? Que diferencia faz sua militância política na definição de seu método de trabalho, na formulação de suas idéias mais gerais e nos resultados concretos de seu trabalho? E, finalmente, que aconteceu depois com esses resultados? Que possíveis usos, apropriações, interdições ou transformações sofreu nas mãos de outros?

Continuando um estudo iniciado em 2005 e apresentado como trabalho de graduação em dezembro de 2006,[1] o presente projeto de pesquisa visa contribuir, por meio da abordagem dessas questões, à história da geografia e da cartografia, à história do conhecimento e definição do território colombiano e às discussões sobre a questão nacional na Colômbia e o processo de estabelecimento da ordem social e natural própria do mundo moderno capitalista e eurocêntrado.

[1] Las geografías de Reclus y Vergara: itinerario de una red, Monografía para optar al título de Historiador, Bogotá, Universidad Nacional de Colombia, 2006. PDF Uma parte deste trabalho foi publicada como “Historia de la historiografía sobre Francisco Vergara y Velasco”, Memoria y Sociedad, Bogotá, Universidad Javeriana, separata, noviembre de 2006, pp. 16-19.

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Escrito por daramirezp

Diciembre 15, 2007 a 3:15 am

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